A verdadeira partida que se jogará de agora em diante

Por Umberto Pessot, da Agência Jovem de Notícias

Depois de muitos dias e, algumas vezes, também noites de tratativas, a primeira semana da Conferência ONU sobre mudanças climáticas se aproxima do final. Na manhã de domingo, os cientistas fizeram as malas, deixando espaço ao debate político sobre os documentos elaborados. Antes da partida, conseguimos recolher algumas opiniões.

Muitos delegados se disseram frustrados pelas baixas e, de qualquer forma, reduzidas ambições. Os temas mais prejudicados são aqueles relativos aos projetos de mitigação, como a diminuição da produção de CO2 em nível mundial ou a preservação das florestas. Um delegado nos confessou: “Deveríamos ir mais longe e de forma mais rápida, mas a impressão é de que estamos andando para trás”.

Ao mesmo tempo, na cidade, a pressão se eleva. No sábado, uma manifestação de mil e duzentos jovens percorreu as ruas de Varsóvia em favor de uma mudança nas políticas ambientais. “We want system change, not climate change”, era o slogan. Já hoje, 18 de novembro, fora do Ministério da Economia polaco, desde as primeiras horas da manhã se reuniram muitos jovens para um protesto pacífico. Dentro do prédio acontece a International Coal & Climate Summit, que reúne todos os maiores produtores de carbono do mundo. O objetivo deste encontro foi unir os vários produtores para enfrentar os desafios impostos ao setor pelas mudanças climáticas. Em outras palavras, criar ações de lobbying e advocacy coordenadas, para permitir às empresas que continuem a trabalhar e ganhar lucros astronômicos sem entraves políticos ou burocráticos.

O governo polaco deu forte apoio a esta conferência. A delegação anfitriã, justamente por isso, se encontra no fogo cruzado entre sociedade civil e União Europeia, que demonstra grande irritação diante da resistência polonesa na busca de um acordo mais ambicioso. Agora veremos se essas pressões nos levarão a uma mudança de rota.

No interior do estádio nacional, onde acontecem as negociações oficiais, as nuvens cinza não parecem se dissipar. A Austrália do novo premier Tony Abbot continua a liderar a intransigente oposição a todo tipo de compromisso financeiro com os países menos desenvolvidos. Outras notícias, certamente não cor-de-rosa, vêm do Brasil, que parecia ser, na realidade, uma das delegações mais dispostas a trabalhar em busca de um acordo. Segundo dados de satélite, o desmatamento na Amazônia aumentou em 28% no período de apenas um ano. O dado é muito alarmante, porque as ambições de mitigação do clima partem também da conservação das áreas que mais absorvem o gás carbônico emitido. A chefe da delegação brasileira informou que, assim que voltar ao país, estudará a possibilidade de combater esta situação, em um trabalho coordenado com as comunidades locais.

Enquanto isso, na plenária desta manhã, foi apresentado o rascunho escrito para a Durban Platform. Trata-se do texto base sobre o qual de desenvolverão as negociações políticas nesta segunda semana.

Não podemos dizer, certamente, que a semana que passou foi brilhante em notícias positivas, ainda se, como recordam muitos delegados, “isso que vimos foi apenas o aquecimento; a verdadeira partida se jogará agora.”

 

Versione in italiano

Il vero match si giocherà da ora in poi

Umberto Pessot dall’Agenzia di Stampa Giovanile

Dopo molte giornate e alle volte anche nottate di trattative, la prima settimana della Conferenza ONU sui cambiamenti climatici è giunta al termine. Nella mattinata di domenica gli scienziati hanno fatto le valigie lasciando spazio al dibattito politico sui documenti preparati. Prima della partenza siamo riusciti a raccogliere alcune opinioni.

Molti delegati si sono detti frustrati per le basse o comunque ridotte ambizioni. I temi più colpiti sono quelli relativi ai progetti di mitigazione, come l’abbassamento della produzione di CO2 a livello mondiale o la preservazione delle foreste. Un delegato ci confessa: “Dovremmo muoverci più lontano e più velocemente, ma ci si sente come se ci stessimo muovendo indietro”.

Allo stesso momento nella città la pressione sale. Sabato una manifestazione di mille e duecento giovani ha percorso le strade di Varsavia a favore di un cambiamento nelle politiche ambientali. “We want system change, not climate change”,era lo slogan. Nella giornata di oggi, 18 novembre, fuori dal Ministero dell’Economia polacco, fin dalle prime ore del mattino si sono riunti molti giovani per una protesta pacifica. All’interno infatti si tiene l’International Coal & Climate Summit”che riunisce tutti i più grandi produttori di carbone al mondo. Lo scopo di questo meeting è coordinare i vari produttori per fronteggiare le sfide imposte a questo settore dal cambiamento climatico. In parole più spiccie, creare delle azioni di lobbying e advocacy coordinate per permettere alle aziende di continuare a lavorare e guadagnare profitti astronomici senza intoppi di tipo politico o burocratico.

Il governo polacco ha dato forte appoggio a questa conferenza. La delegazione ospitante proprio per questo si ritrova in mezzo al fuoco incrociato di società civile e Unione Europea, fortemente infastidite dal forte ostruzionismo polacco nella ricerca di un accordo ambizioso. Ora vedremo se queste pressioni porteranno a un cambio di rotta.

All’interno dello Stadio nazionale, dove si tengono le negoziazioni ufficiali, Ie nuvole grigie non sembrano dissiparsi. L’Australia del nuovo premier Tony Abbot continua l’intransigente opposizione a ogni tipo di impegno finanziario per i paesi meno sviluppati. Altre notizie non certo rosee arrivano dal Brasile, che ci sembrava essere in realtà una delle delegazioni che più ha lavorato nella ricerca di un accordo. Secondo dati satellitari la deforestazione dell’Amazzonia è aumentata del 28% in un solo anno. Il dato è molto allarmante perché le ambizioni di mitigazione del clima partono anche dalla conservazione delle aree che più assorbono l’anidride carbonica emessa. La capo della delegazione del Brasile fa sapere che appena tornerà in patria studierà dei possibili rimedi in coordinamento con le comunità locali.

Intanto nella plenaria di stamattina è stato presentato il draft text formulato dalla Durban Platform. Si tratta del testo di base su cui si svolgeranno le negoziazioni politiche nella seconda settimana.

Non possiamo certo dire che questa settimana abbia brillato di notizie positive, anche se come ci ricordano molti delegati: “Questo che abbiamo visto era solo il riscaldamento prepartita, il vero match si giocherà da ora in poi”.

 

 

Evelyn Araripe é jornalista e educadora ambiental. Foi educomunicadora na Viração Educomunicação entre 2011 e 2014. Atualmente vive na Alemanha, onde é bolsista do programa German Chancellor Fellowship for tomorrow’s leaders e administra o blog Ela é Quente, que conta as histórias de vida de mulheres que estão ajudando a combater os efeitos das Mudanças Climáticas ao redor do mundo.

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