A verdadeira mudança sou Eu

Observando a cidade do Rio das alturas, fico me perguntando: como conseguimos destruir tanto em apenas 500 anos de história?

De volta para São Paulo, sentada à janela do avião, pronta para decolar em poucos minutos, relembro tudo o que presenciamos e experimentamos. Quantas mobilizações, palavras, ações, desejos de mudança. Quantos jovens, senhores, brasileiros, chineses, americanos, africanos, índios, brancos, pardos, negros e tantos outros, de tantas raças, estiveram aqui, caminhando sobre o mesmo solo, com a mesma pretensão: “Mudança”.

Quanta diversidade social e cultural se encontrou aqui com um objetivo comum: “um mundo melhor com mais diversidade, mais verde, mais animais, mais respeito, mais paz e soluções para o presente e o futuro”.
Da janela do avião, posso ver o Pão de Açúcar – e, embora a imagem seja maravilhosa, também entristece. Do pico mais alto, recaem sobre ele um belo azul royal e muitas nuvens. Mas dali para baixo, uma bruma acinzentada, provinda de décadas de poluição. O reflexo das mãos dos homens, mais uma vez, deixa clara a sua falta de inteiração e respeito ao que a natureza fez de tão belo em seu genuíno trabalho.

Daqui do alto, já voando, posso ver a destruição e o progresso juntos. Um paradoxo que não gostaria de reconhecer.

Esperei que, dessa conferência, tivéssemos reais mudanças e soluções – não somente papéis e assinaturas. Que tivéssemos atitudes construtivas, não só palavras jogadas ao vento. Que o engajamento e a atenção dos chefes de Estado quanto aos grandes problemas ambientais não durasse somente até o dia 22 de junho. Que pudéssemos deixar de lado as vozes da hipocrisia que nos impulsionam a caminhar para trás e realmente compreendêssemos que a grande crise mundial não está na economia: está no homem e em sua forma descontrolada de viver.

Acredito que a mudança verdadeira quem vai fazer somos nós. A Rio+20 nos mostrou isso. Nada como uma verdadeira mobilização social para uma verdadeira mudança. Se todos estiverem conscientes do que é necessário fazer, de como evitar o desgaste dos recursos do planeta com uma simples atitude – até mesmo a de deixar de jogar lixo no chão e ensinar a nossos pequenos a importância disso – tenho certeza de que estaremos progredindo para um mundo não tão conturbado no futuro.

Agradeço pela oportunidade dessa viagem, de poder estar mais perto dos movimentos pró-meio ambiente e poder ter visto, sentido e me integrado à energia das pessoas pedindo socorro por um mundo mais equilibrado. Hoje, retorno ainda mais consciente e com a certeza de que cada um, com seus próprios atos, é responsável pela conservação ou destruição. Eu conservo!

Tábata Lima

Gutierrez de Jesus Silva

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1 Comment

  • Lindo Tábata Lima, é isso! emocionada com seu texto…

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