A política da política de comunicação

Por Vânia Correia

Um dos momentos mais intensos do I ENDC foi o debate sobre a política da Política de Comunicação no Brasil. Participaram da mesa Ana Veloso, da Unicap e do Conselho Curador da EBC, Marcos Dantas da UFRJ e Venício Lima da UnB.

Para Venício Lima, o governo não tem dado sinais de compromisso com a democratização da comunicação. Em contrapartida, ele destaca a crescente mobilização da sociedade civil em relação ao tema. “Apesar do boicote sistemático que a grande mídia faz em torno dessas questões, é inegável que o tema provoca uma mobilização crescente de diferentes setores da sociedade. Comunicação está na pauta do debate público”.

Numa análise do cenário da comunicação no Brasil, Venício enumerou os atores que operam a política de comunicação e suas atuações. Entre poderes executivo, legislativo, judiciário e o empresariado, Venício ressaltou a existência e o papel dos que chama de ‘não-atores’, a população em geral. Segundo ele, as mídias alternativas ocupam um lugar importante no alcance de visibilidade para bandeiras desses ‘não-atores’. “Eles têm ganhado espaço nesse sentido. São novas formas de manifestação”.

Para o professor, o desafio do movimento de comunicação agora é conseguir se expandir e consolidar a pauta na sociedade. Para isso é preciso falar com o povo. “Precisamos aprender a forma de traduzir para a população em geral as questões da comunicação em forma de direitos, que equivale a outros direitos”, conclui.

O professor Marcos Dantas trouxe reflexões sobre as necessidades e desafios de estrutura para a democratização da comunicação no país. “O que nos interessa é espaço para veicular conteúdo. Que a estrutura seja de tal forma dividida que garanta a diversidade de vozes”, defendeu.

Ana Veloso falou sobre o funcionamento do Conselho Curador da EBC e do desafio de garantir maior participação, garantindo independência e ampliação do diálogo com a sociedade.

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