A crise climática é uma crise educacional

educação durante as mudanças climáticas e sobre as mudanças climáticas.

O acesso à educação nem sempre é garantido e as mudanças climáticas também contribuem para isso. A educação climática representa, nas suas diversas formas, um meio muito poderoso no combate às alterações climáticas e, por isso, é fundamental que seja garantida. Afinal, a crise climática é uma crise educacional.

Por Mayra Boscato

Tradução: Monise Berno

O quarto objetivo da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável diz respeito à educação. Tem como foco garantir o acesso à educação inclusiva e equitativa, bem como promover oportunidades iguais de vida para todos. No momento, os esforços para atingir esse objetivo ainda são insuficientes e as causas são diversas. Em particular, recentemente, as mudanças climáticas tiveram um impacto significativo não só na qualidade da educação, mas de fato na possibilidade de acesso a ela. Estima-se que a educação de mais de quarenta milhões de crianças por ano está em risco devido a eventos climáticos extremos que continuam a aumentar em frequência. Como afirmou o ministro norueguês, a educação é um direito fundamental e, por isso, é essencial que seja garantida: é fato que as crianças e famílias que recebem educação estão mais bem preparadas para enfrentar uma crise e dela se recuperar.

Embora a mudança climática tenha um impacto na educação, por outro lado, principalmente quando a educação é efetivamente garantida, a educação climática pode representar um grande recurso para o alcance dos objetivos ambientais.

Haldis Holst, Secretária de Educação Internacional, está preocupada com a questão da educação climática: ela está ciente de como as crianças participam das mudanças climáticas e observa o quão assustadas elas estão porque não sabem se terão a oportunidade de criar e desenvolver uma vida no futuro. 

Com referência à “educação climática”, é muito comum imaginá-la como uma disciplina independente a ser ensinada e aprendida na escola, talvez no contexto da educação cívica. Na verdade, é muito mais do que isso: pode assumir diferentes formas e tonalidades. Alguns preferem considerá-la de acordo com uma abordagem holística. Desta forma, os alunos são educados para serem críticos, autoconfiantes e independentes; eles não são treinados em consideração de assuntos individuais, mas como cidadãos e pessoas. De outro ponto de vista, a educação climática precisa vir antes da criação de um mercado consumidor atento às questões ambientais: neste contexto, crianças são formadas para realizar trabalhos que encontrarão no futuro, e não profissões que não existirão mais em seu futuro.

Em mais de 70 estados e também em 56.000 escolas de todo o mundo, o conceito de educação climática também pode se concretizar na chamada “Eco-Escola”. Este modelo de escola incentiva as crianças a se engajarem no ambiente ao seu redor, dando-lhes oportunidades de protegê-lo ativamente: a educação, portanto, começa na sala de aula, mas depois se expande para o nível da comunidade, envolvendo as próximas gerações em um mecanismo de aprendizagem baseado em ação.

Certamente as crianças e os jovens são o futuro. No entanto, é importante que todos estejam envolvidos na educação climática. A “Climate Fresk, associação consciente da ameaça que as alterações climáticas representam, tem como objetivo sensibilizar para as ligações entre o clima e a ciência através de workshops materiais e educativos e interativos que procuram chegar ao maior número possível de pessoas no mundo.

Portanto, fica claro que a educação e as mudanças climáticas estão profundamente conectadas. Existem algumas formas de educação para ensinar e conscientizar sobre a questão das mudanças climáticas.

Embora as crianças não sejam responsáveis ​​pela crise climática, são elas que terão de enfrentá-la; por isso é necessário fornecer-lhe as ferramentas para o fazer.

Por meio da educação climática, portanto, também é possível combater as mudanças climáticas que, por sua vez, são uma das causas que impedem o acesso à formação. Em outras palavras, a própria crise climática se torna uma crise educacional, mas a educação ainda pode salvar o planeta.

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