A Agenda 2030 é uma agenda racista?

A Agenda 2030 é uma agenda universal, integrada e indivisível. No entanto, precisamos sair da superficialidade e analisar com olhar crítico e questionador.

Por Amanda da Cruz Costa

Olá querides! Como vocês estão?

Se você acompanha meus textos aqui na Agência Jovem de Notícias, já descobriu como a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável foi criada e sabe que os 17 ODS não são um sonho utópico. No entanto, quero abordar um tema polêmico:

você acha que a Agenda 2030 é racista?

Apesar de ter contado com a participação dos 193 países membros da ONU, nenhum dos objetivos da Agenda contemplam a questão racial na sua integralidade e dinamismo. Há planos para promover a igualdade de gênero, erradicar a pobreza, reduzir as desigualdades, combater a crise climática mas não há NENHUM objetivo específico que trace caminhos universais de combate ao racismo estrutural.

Eu, enquanto mulher preta e periférica, pesquisadora da Agenda 2030,  senti que estava na hora de levantar essa questão e convidá-los à reflexão. 

A Agenda 2030 é uma agenda universal, integrada e indivisível, que tem o lema de não deixar ninguém para trás.” No entanto, precisamos sair da superficialidade da branquitude e analisar essa agenda com um olhar crítico e questionador.

Assim que os ODS foram anunciados pelos países, percebemos que outra vez as mulheres negras e os grupos vulneráveis estavam de fora desse debate. (…) Vimos que era necessário que novamente as mulheres negras tomassem rédeas desse processo.

Lúcia Xavier, coordenadora do Criola

Apesar das falhas estruturais da Agenda 2030, houve iniciativas das Nações Unidas para mitigar esse câncer social. Um exemplo foi a parceria do Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030 com a ONU Mulheres Brasil, com o intuito de apoiar estratégias de inclusão de mulher negras em espaços de debate nacional.

Para que essa agenda se afine um pouco mais é preciso divulgar não somente os ODS, mas as possibilidades de incorporação das mulheres negras nesse processo. Talvez a maneira mais concreta de fazer isso seja (…) olhar os ODS como uma oportunidade e enegrecê-los a ponto de poderem dar resposta às condições da população negra e das mulheres negras.

Lúcia Xavier – coordenadora do Criola

A inclusão da mulher preta nos debates globais é imprescindível para a implementação dos 17 Objetivos e das 169 Metas da Agenda 2030. Não podemos ignorar que a ideologia de dominação brancocêntrica foi pulverizada em TODAS as estruturas sociais!

A mulher preta traz uma visão completamente diferente da visão eurocêntrica, possibilitando outros caminhos e soluções inovadoras para os desafios econômicos, sociais e ambientais presentes em nosso planeta.

Querides, sei que algumas pessoas se sentirão desconfortáveis com meus questionamentos. Contudo, temos opções:

  • Concordar com um sistema racista, machista, classista e opressor ou
  • Olhar para a estrutura social existente e desafiar o status quo.

Não quero falar da Agenda 2030 de forma rasa, mas escolho promover reflexões críticas com profundidade e interseccionalidades. O racismo não é um problema meu, é um problema nosso. Nosso engajamento moldará o mundo que deixaremos para as próximas gerações.

Não somos o futuro, somos o agora!

Hamangai Kariri Sapuya

Fonte:

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2 Comentários

  • […] A Agenda 2030 é uma agenda racista? […]

  • Amanda, você é PERFEITA!!! Obrigada por levantar essa questão de extrema relevância e importância!! Brigada por me representar, como mulher negra e periférica.

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