A Agenda 2030 é um sonho utópico?

Ainda faz sentido seguir os direcionamentos da Agenda 2030 para um futuro sustentável? Discutir essa agenda é entender as medidas que podemos adotar para mitigar a desigualdade

Por Amanda Costa

Oláaaa meus xôfens engajados, como vocês estão?

No último mês conversamos sobre a Agenda 2030, a Agenda para o Desenvolvimento Sustentável da ONU. Contudo, é beeeeem utópico falar sobre o “mundo ideal” quando estamos vivenciando um cenário tãaaao desesperador, não é mesmo?

São tantas coisas que não dá nem para escolher: é crush que visualiza e não responde, uma pandemia que já matou mais de 400k pessoas, as espinhas que surgem em partes inconvenientes do corpo, um movimento antirracista global, o desafio de encontrar um job com propósito e uma crise política profunda nos governos federal, estaduais e municipais do Brasil.

Com toda essa loucura, cabe o questionamento: será que ainda faz sentido seguir os direcionamentos da Agenda 2030 para alcançar um futuro sustentável?

Querides, esse momento me fez repensar em toda a minha vida: relações familiares e de amizade, trabalho, estudos e consequentemente a Agenda 2030, minha temática de pesquisa.

Acredito que, se queremos viver com paixão, precisamos revisitar nossos valores com frequência. Além de questionar os espaços que ocupamos, precisamos desenvolver práticas colaborativas e inclusivas, que tenham como um dos objetivos principais incluir os que estão à margem do sistema social. Um dos lemas da Agenda 2030 é “não deixar ninguém para trás”, o que significa ampliar esse discurso e dialogar com diferentes públicos.

Discutir a Agenda de Sustentabilidade é, na verdade, entender as medidas que podemos adotar para mitigar a desigualdade social! Por muito tempo os assuntos sobre meio ambiente e sustentabilidade adquiriram um caráter elitista, correspondendo a um sistema privatista e individualista.

No entanto, está na hora de criticar esse modelo e repensar a subjetividade econômica. Precisamos quebrar a lógica neoliberal que gera culpa e paralisia e transitar para um modelo social mais diverso, aberto e HUMANO.

Atualmente vivemos num sistema capitalista de supremacia branca, fundamentado em dois pilares: disputa e competição. Esse sistema utiliza a agressividade, a exploração e a narrativa do herói para conquistar oportunidades e ampliar domínios.

O modelo de capitalismo explora e impulsiona ativamente crenças sexistas tradicionais que desempoderam negros, mulheres, homossexuais e povos originários que estão à margem do sistema social dominante.

Frase adaptada do Relatório Tempo de Cuidar, Oxfam Brasil, 2020

A construção de um mundo mais igualitário só será possível com mudanças sistêmicas, que valorizem a diversidade dos tipos de trabalho, sejam eles remunerados ou não. O atual crescimento desenfreado é insustentável e impossibilita que vivamos dentro dos limites ambientais do planeta. Portanto, devemos cessar a busca irrefreável pela riqueza e pelo lucro e valorizar uma ECONOMIA HUMANA!

Pessu, estamos enfrentando uma convergência de crises econômica, social e ambiental, o que nos permite fazer uma mudança integral e global. Booooora utilizar esse momento para nos apropriar dos mecanismos de transformação social?!

Você acredita que as pessoas e o planeta podem prosperar em equilíbrio? 👀

Sei que parece utópico, mas é possível simmmm! A economista inglesa Kate Raworth sistematizou um novelo modelo, conhecido como Donut (ou rosquinha, para os brazukas). Esse modelo já está sendo aplicado em muito lugares, como em Amsterdã, na Holanda.

Kate defende uma transição da economia do Séc. XX para a economia do Séc. XXI, no qual o PIB, um índice finito, seria substituído por uma rosquinha que relaciona as necessidades humanas com o impacto ambiental da economia na sociedade e na Terra como ente vivo.

O alicerce social do Donut é baseado nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e determina os requisitos mínimos que cada ser humano tem necessidade. O teto ecológico do Donut compreende 9 limites planetários que identificam os sistemas críticos de suporte à vida. Confira abaixo:

Precisamos internalizar que “a economia existe para respeitar a vida!”

Somos a primeira geração a saber que estamos usando os recursos do planeta antes que ele consiga se regenerar, o que nos coloca num lugar de imenso privilégio: conduzir uma transição rumo a um futuro que respeite os limites do planeta. Se os Estados, a sociedade civil e as empresas trabalharem em conjunto poderemos construir uma sociedade economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente sustentável!

Já imaginou se a nossa geração fosse a geração da virada que colocasse a humanidade nos trilhos do planeta?

Carol Busatto

Bora colocar energia num sistema que valoriza a vida!

Se não nós, quem? Se não agora, quando? Nós somos parte da solução!

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