5 perfis de pessoas negras para seguir no Instagram

Uma lista com 5 perfis de pessoas negras para você seguir no Instagram e enegrecer suas referências neste #BlackOutTuesday

Por Monise Berno

Há uma semana acompanhamos atos antirracistas espalhados pelos Estados Unidos, depois que George Floyd, um homem negro acusado de tentar comprar cigarros com notas falsas, morreu no último dia 25 de maio de 2020 por que o policial branco Derek Chauvin, junto com 2 parceiros de Minneapolis, se ajoelhou no pescoço de Floyd por pelo menos sete minutos, enquanto ele estava algemado e deitado de bruços e em público.

Também desde o mês de maio de 2020, o Brasil chora as mortes de João Pedro, Iago e João Vitor, jovens negros e periféricos do Rio de Janeiro, vítimas da violência policial brasileira provocada pela ininterrupta – e ineficaz – guerra às drogas.

Todos estes casos recentes escancaram o problema do racismo estrutural. Há séculos vivemos sob o genocídio da população negra, pobre e periférica: um projeto que mata, encarcera e oprime em nome de uma justiça racista, classista e parcial.

Hoje, 02 de junho de 2020, as redes sociais foram tomadas pela campanha #BlackOutTuesday: milhares de publicações de uma imagem preta nas timelines – a ação foi inicialmente proposta por algumas marcas, e foi rapidamente adotada por personalidades e pessoas comuns, em um convite para pensar sobre o racismo estrutural e suas consequências nefastas que agridem e matam alvos predestinados pela cor, tanto aqui no Brasil quanto lá fora.

O racismo não é uma invenção; não é vitimismo.

E as pessoas brancas dos tempos de hoje têm a obrigação de participar ativamente da luta antirracista, como aliadas das pessoas negras. É essencial conversar sobre racismo com as pessoas brancas, para que conheçam e aprendam a identificar atitudes racistas, para que não naturalizem falas racistas, não se calem diante de situações de racismo e apoiem pessoas negras que denunciam episódios de racismo.

É fundamental reconhecer os privilégios brancos e utilizá-los para amplificar vozes, projetos, iniciativas e pessoas negras.

É crucial entender que os debates sobre raça dizem respeito a toda a dinâmica social que hierarquiza e oprime o povo negro, pensando o conceito de branquitude e a construção de violências estruturais que surgiram a partir dele.

É urgente enegrecer nossas referências: ler autores e autoras negros, assistir filmes e séries dirigidos e protagonizados por pessoas negras, acompanhar e apoiar seu trabalho, seguir pessoas negras nas redes sociais.

Neste dia de reflexão e protesto, conheça 5 perfis de pessoas negras para seguir no Instagram e ampliar suas referências:

1. Alê Garcia @alegarcia

Alessandro Garcia nasceu em Porto Alegre. Escreve livros de ficção, já atuou como colunista em diversas revistas e sites e produz conteúdo para redes sociais. É podcaster do @negrodasemana.

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Preparei uma lista de 5 ótimos livros pra quem quer conhecer mais a respeito da situação racial no Brasil e no mundo, quer se aprofundar em cultura negra, quer expandir seu conhecimento em relação às desigualdades sociais, raciais e sexuais. Praticamente todos encontráveis online, alguns com versões em ebook⠀ ⠀ ▶️ O Genocídio do negro brasileiro | Abdias Nascimento⠀ ⠀ :: Desconstrói o mito da “democracia racial” brasileira por meio de testemunhos pessoais, reflexões e críticas. Segundo a ONU, no Brasil ocorre, a cada 23 minutos, a morte de um jovem negro. Em geral, do sexo masculino; em geral, pela ação, ou omissão, do Estado, da polícia a instituição de escolha para se lidar com qualquer questão social no país. É preciso dizer mais?⠀ ⠀ ▶️ Mulheres, raça e classe | de Angela Davis⠀ ⠀ :: Os problemas enfrentados por mulheres negras é diferente dos das mulheres brancas. O livro começa tratando da escravidão e de seus efeitos, da forma pela qual a mulher negra foi desumanizada. Isso torna impossível pensar um projeto de nação que desconsidere a centralidade da questão racial, já que as sociedades escravocratas foram fundadas no racismo⠀ ⠀ ▶️ Ensinando a transgredir | bel hooks⠀ ⠀ Para hooks, ensinar os alunos a “transgredir” as fronteiras raciais, sexuais e de classe a fim de alcançar o dom da liberdade é o objetivo mais importante do professor⠀ ⠀ ▶️ Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil | Sueli Carneiro ⠀ :: Aqui, autora nos convida a refletir criticamente a sociedade brasileira, explicitando de forma contundente como o racismo e o sexismo têm estruturado as relações sociais, políticas e de gênero⠀ ⠀ ▶️ O negro escrito | Oswaldo de Camargo⠀ ⠀ :: Oswaldo de Camargo é um dos responsáveis pela inclusão da literatura negra no circuito cultural do Brasil. E ele surpreende por todo conhecimento que possui sobre os escritores negros brasileiros e livros que tratam da temática negra. De 1987, este livro é um dos raros trabalhos a tratar dos ainda marginalizados autores negros⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ #literaturanegra #escritoresnegros #racismo #intelectuaisnegros #belhooks #angeladavis

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2. Gabi Oliveira @gabidepretas

Gabi Oliveira é formada em Comunicação Social e produtora de conteúdo sobre estética negra, relações raciais na internet. Mantém um canal no Youtube e é podcaster no @afetospodcast 

3. Nádia Nádila @nadianadila

Nádia Nádila é advogada e produz conteúdo nas redes sociais sobre história, a luta antirracista, feminismo e ecossocialismo. Atua na @sociedadedobemviver e é co-fundadora do @bancodetempobrasilia

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[Fascismo]⁣ O que é o fascismo nos tempos atuais senão uma política de ódio contra minorias? ⁣ ⁣ Com um programa racista, xenofóbico, homofóbico, , misógino, militarismo e repressão a movimentos sociais?⁣ ⁣ Eu não me esqueço das decisões tomadas pelo Bolsonaro no primeiro dia do mandato, se não foi a retirada de direitos da população indígena e quilombola? ⁣ ⁣ Assistimos desde 2016 a retirada de direitos sociais, a flexibilização dos direitos trabalhistas, a reforma da previdência, o enfraquecimento dos sindicatos, o desmantelamento do Ministério do Meio Ambiente, do Ministério da Cultura, da Funai, da Fundação Cultural Palmares, o ataque a imprensa, a ligação do governo Bolsonaro com a milícia, o assassinato político de Marielle Franco, o ataque direto ao STF, um total desequilíbrio entre os três poderes que nos garantia ao mínimo uma "democracia" liberal. ⁣ ⁣ Se o objetivo mais característico do fascismo é a destruição de formas de organização partidária, sindical e social independente, como não dizer que estamos diante de um governo fascista?⁣ ⁣ Vivemos um momento que ficará marcado na história, uma pandemia onde boa parte do mundo se isolou e mesmo assim temos que diariamente lutar contra o genocídio do povo negro, machismo, ameaças e extermínio de adversários (vide o caso da Marielle), exterminío da população pobre e preta através da flexibilização do isolamento social, do uso da cloroquina, etc. ⁣ ⁣ Até então grupos desorganizados que estavam no submundo, entenderam que esse é o momento para aparecerem e se organizarem, só ver a manifestação dos "300", de pessoas que se vêem como supremacistas brancos, que falam abertamente sobre o fechar o STF e de serem contra a esquerda brasileira. ⁣ ⁣ Mais do que nunca, esse é o momento de se organizar politicamente, de continuar lutando, e principalmente de se declarar abertamente: Eu sou antifascista!⁣ #somostodosANTIFA⁣ #somostodosantifascistas ⁣ #JOAOPEDROPRESENTE ⁣ #justiceforfloyd ⁣ #mariellepresente ⁣ Design: @flavinhamattos.arte

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4. Dríade Aguiar @driadeaguiar

Dríade Aguiar é ativista do projeto Fora do Eixo, feminista negra, pansexual, militante body positive e gestora da Mídia NINJA @midianinja

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O QUE DEVERÍAMOS ESTAR FAZENDO NO "Blackout Tuesday". . Estamos vivendo semanas intensas, cheias de gatilho e, para alguns, novos paradigmas e significâncias. E com eles, nesta terça, surgiu o Blackout Tuesday, que acarretou em uma chuva de post de quadrado preto – para provocar respostas sobre o assassinato de George Floyd. só que esta mesma onda está provocando esteticamente e politicamente o apagamento da pauta. . Compartilho aqui, com meus irmãos negros e pra esse levante de pessoas brancas que parecem ter finalmente entendido o que é racismo, um pouco do porque e o que podemos fazer para mudar essa narrativa: . 1) A iniciativa #BlackOutTuesday foi criado por grandes empresas da música como Atlantic Records, Sony/ATV, Sony Music, Warner Records e outras marcas envolvidas se engajaram, como Soundcloud, Spotify, Vevo e YouTube. A proposta é fazer uma espécie de paralização: interromper suas atividades de negócios em todo os EUA, visando provocar a responsabilização pela morte de George Floyd . 2) A coisa se espalhou rápido quando blogueiros e influencers resolveram aderir e assim começa a onda de postagens de "quadrados pretos" nas redes sociais. O que na verdade, trai um dos motivos da manifestação inicialmente: provocar conscientização de todos sobre o caso. . 3) Fundamentalmente, a ideia seria: pare de postar publi, divulgação, anuncio, foto de cachorro, selfies por um dia e poste sobre os protestos, o assassinato cruel de George Floyd e conteúdos que denunciem a violência policial racista. O quadrado preto, sem mais explicações, não cumpre esse objetivo. . 4) Para a população negra, que esse tipo de conteúdo pode dar gatilho, ou mesmo reforçar narrativas negativas, também é indicado postar foto de pessaos pretas que são referências, memórias positivas, ou qualquer conteúdo que celebre usa existência. . É dia de apagão da "normose", é dia de paralizar os negócios, dia de lembrar os corpos pretos tombados – não de postar um quadrado preto sem significado. É um dia normal da vida de uma pessoa preta. #BlackOutTuesday .

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5. Alê Santos @savagefiction

Alê Santos é autor do livro Rastros de Resistência, ‘Negro Drama’ do Storytelling e Afrofuturista. Produz conteúdo sobre racismo estrutural nas redes sociais e é podcaster no #InfiltradosNoCast

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