Precisamos conversar sobre suicídio

Por: Julia Sousa Araújo da Agência Jovem de Notícias //Foto: Shutterstock. Intervenções: Lucas Magalhães

Nos últimos anos a série “13 Reasons Why” (“Os 13 Porquês”) trouxe à tona um tema polêmico e pouco debatido na sociedade, o suicídio. Com a popularização da série, principalmente entre o público mais jovem, falar sobre não é mais tabu, mas ainda deixa muitas dúvidas.

O Suicídio é o ato intencional de tirar a própria vida e tem se tornado cada vez mais frequente entre jovens no Brasil. Segundo o Mapa da Violência 2017, estudo divulgado a partir de dados fornecidos pelo Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, a taxa de suicídio entre a população de 15 a 29 anos subiu de 5,1 por 100 habitantes em 2002 para 5,6 em 2014, um aumento de quase 10% em 12 anos.

Mas o que leva uma pessoa a tirar a própria vida? Segundo Karina da Cruz Santos, psicóloga do IDM (Instituto de Diagnóstico Multidisciplinar), uma das principais causas do suicídio na adolescência é a violência psicológica que os jovens podem vir a experienciar. Uma dessas violências é o bullying.

Além de agredir o psicológico dos jovens, o bullying é responsável por causar um grande desconforto e sofrimento. “O adolescente chega a cometer o suicídio não porque quer de fato acabar com sua própria vida, mas por sentir necessidade de eliminar o sofrimento que está sentindo e não consegue lidar e isso faz com que ele não consiga achar algum sentido para viver”, disse Karina.

Segundo a psicóloga, o transtorno psicológico consiste de um processo evolutivo, o qual possui três estágios:

1º Leve: O indivíduo consegue lidar bem com o seu dia a dia. Concluir suas tarefas e viver sua rotina ainda não é um problema. Nesse estágio, o comportamento é caracterizado por um constante mau humor, pensamentos pessimistas, demonstrando tristeza.

2º Moderado: Mostrando baixa disposição para suas atividades do cotidiano, o jovem começa a apresentar problemas de rendimento escolar, dificuldade na interação social, seja com os amigos ou no próprio ambiente familiar.  Nesse Estágio, o adolescente demonstra pouco esforço para sair dessa situação.

3º Grave: Nesse nível, a pessoa desencadeia o descontrole físico e emocional, prejudicando todo e qualquer tipo de interação. O isolamento total, juntamente com o sofrimento psíquico intenso, contribui para os pensamentos suicidas.

Karina ainda afirma que a depressão pode desencadear pensamentos suicidas, transformando ideias em ações, mas acredita que um dos principais motivos esteja relacionado ao sofrimento do medo do abandono, de não ser aceito, seja por determinado grupo social ou por si. “Quando um jovem já possui uma baixa autoestima, por conta de suas características físicas, não necessariamente se tornará um depressivo, mas se suas características, se tornarem alvos de rejeição, exclusão e abandono, o sofrimento que isso pode gerar sim, faz com que ele venha a cometer o suicídio”, ressalta.

A participação da escola e da família

Valéria dos Santos Cristina Ribeiro, terapeuta familiar sistêmica e fundadora do Filhosofia, instituto que trabalha no desenvolvimento das relações familiares, afirma que a escola é o primeiro local onde pode se identificar que algo de errado está acontecendo. “A escola pode se colocar como o local de conscientização, de debate e até mesmo de identificação, pois alguns comportamentos ocorrem lá, como queda no rendimento escolar, mudanças de comportamentos ou isolamento social”.

Palestras, rodas de debate, teatro ou filmes sobre o tema podem ser uma boa maneira de dinamizar essa conscientização, tanto para as instituições de ensino quanto para as famílias.

A terapeuta ressalta que a família também é essencial neste processo. Perceber possíveis mudanças, manter o diálogo aberto, tratar de questões que são tabus na família, são ações essenciais. “Apesar das informações hoje estarem mais acessíveis, essas questões não devem ser tratadas somente pelo Google, mais sim em conversas francas em casa”, ressaltou Valéria. Dessa maneira, é possível estabelecer um grau de confiança e amizade.

Como evitar

A melhor alternativa para ajudar o adolescente ou jovem é se informar sobre o assunto e buscar ajuda. Negligenciar e não buscar ajuda é um erro grave, pois contribui para um desfecho negativo.

 

 

 

Ver +

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *