Festival mobiliza comunidades vítimas do crime ambiental em Mariana

| Por Wesley Matos da Agência Jovem de Notícias | Foto: Divulgação |

Considerado o maior crime ambiental do Brasil, o rompimento da barragem da mineradora Samarco provocou uma avalanche de lama que avançou sobre a bacia do Rio Doce, no estado de Minas Gerais, até chegar no litoral capixaba. O desastre afetou inúmeras comunidades que dependiam do rio para sobrevivência.
Quase dois anos se passaram e a negligência em relação aos moradores das regiões atingidas que perderam suas casas e fonte de renda, ainda continua. Pensando nisso, a galera da Aliança do Rio Doce que há um tempo desenvolve atividades sociais nas comunidades atingidas pelo desastre, decidiu criar o festival Regenera Rio Doce, que acontece do dia 14 ao dia 30 de julho em Regência, Minas Gerais.
O festival tem como intuito promover o compartilhamento de saberes entre organizações, moradores e as pessoas que se propuseram a contribuir de alguma forma para o desenvolvimento e (re)construção da região. Muitas pessoas se sensibilizaram com a ideia, e com tudo o que ocorreu desde o desastre.
“Tenho uma paixão enorme pelo meio ambiente e desde que aconteceu o crime ambiental, fiquei surpresa e senti um chamado muito forte, queria entender, conhecer o modo de vida das pessoas e como elas estavam enfrentando a tragédia. Ainda estou me descobrindo, mas acredito na Regeneração do Rio Doce”, diz Catarine, técnica ambiental e voluntária do festival.
Houve e ainda há mobilizações e resistências em Minas Gerais, como o Jornal Sirene e a Wiki Rio Doce, articulações virtuais e colaborativas que informar a sociedade sobre a situação nas regiões e comunidades afetadas pelo desastre.
O Jornal Sirene surgiu a partir da mobilização comunitária das próprias comunidades atingidas, que viram na comunicação uma forma denunciar o crime ambiental, através de relatos. A Wiki Rio Doce funciona da mesma forma, mas qualquer usuário pode interagir e inserir notícias a respeito do rio contaminado.
Tadeu Amaral, jornalista livre e um dos voluntários do evento, tem boas expectativas para o festival Regenera Rio Doce. “Espero poder criar pontes, conectar pessoas, seja através de registros, compartilhamento de notícias e postagens. Minha ideia é comunicar, facilitar a comunicação”, conta.
Essa iniciativa é movida simplesmente pelo amor, afeto, colaboração, energia positiva e pelo sonho de rever o Rio Doce vivo.
“Eu espero que o festival seja um gerador de oportunidade e que ajude na ampliação da relação das pessoas com esse grande desafio, que é reinventar a vida ao lado de um rio e ajudar ele no processo de regeneração. Ele vai se regenerar! A questão é, quanto tempo isso vai demorar?”, questiona Floriana Breyer, integrante da Aliança do Rio Doce, movimento de restauração socioambiental e defesa do Rio Doce.

Como ajudar

Para apoiar a realização do festival você pode doar qualquer quantia clicando aqui, ou até mesmo marcar presença na comunidade. Saiba mais como participar.

Jefferson Rozeno
21 anos, estudante de jornalismo, estagiário de comunicação e marketing

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