Mulheres enfrentam golpe e intolerância em conferência

Maria Camila Florêncio, enviada da AJN a Brasília (DF)

Hoje (11), as delegadas da 4ª Conferência Nacional de Política para as Mulheres seguem com o nítido esforço de permanecer em atividades em plenário e nos Grupos de Trabalho (GT), enquanto o processo de impedimento está sendo votado a poucos quilômetros.

No painel “Políticas para as mulheres: avanços e desafios” gestoras e representantes da sociedade civil fizeram um balanço sobre conquistas dos últimos 13 anos.

Tatau Godinho, da Secretaria de Política para as Mulheres (SPM), ressaltou as ações voltadas para a autonomia econômica e trabalho como a PEC das empregadas domésticas e os quase dois milhões de documentos de identidade (RG) para mulheres rurais, o que possibilitou a inserção em outros programas governamentais.

Silvana Comte, por sua vez, da Liga Brasileira de Lésbicas, fez questão de cumprimentar diversos grupos de mulheres presentes, como as mulheres com deficiência e as de matrizes africanas. Ela ressaltou que a garantia da participação de mulheres com especificidades diferentes é uma conquista histórica, mas que se encontra ameaçada neste momento. “É isto que está em jogo neste golpe em curso: machismo, misoginia e preconceito por uma presidente eleita. Temos 180 dias para colocar a nossa presidenta no lugar de onde ela não pode sair”, afirmou.

Transfobia

Após o painel, um grupo de mulheres trans subiu ao palco e mesmo sem microfone começaram a falar. Disseram que a organização pediu para que falassem apenas no momento em que serão lidas as moções na plenária final, no dia de amanha (12). No entanto, disseram que não podiam silenciar diante da transfobia por elas sofrida no dia anterior.

Rafaela Damasceno disse que um grupo de garçons teria caçoado de mulheres trans durante o jantar no dia anterior. Elas teriam procurado a organização que promoveu uma reunião com a responsável do buffet contratado. Mas, segundo elas, a responsável promoveu um tipo de acareação que as culpava.

Intolerância e resistência

Em seguida, a moderadora da mesa convidou o grupo de mulheres da Bahia que ficou preso arbitrariamente durante cerca de 3h no Aeroporto de Salvador no dia ontem, por se manifestarem contra deputados apoiadores do processo de impedimento da presidenta Dilma Rousseff. “Eles odeiam mulheres negras, nordestinas, empregadas domésticas e rurais dentro de avião. Se voar é bom, se avião é bom, queremos pra gente. Não vamos recuar em tudo que esse pais conquistou”, disse uma das mulheres do grupo.

O sentimento geral presente nas falas foi o de que suas especificidades e liberdade vão passar a, cada vez mais, serem cerceadas diante do avanço de forças conservadoras na política. O cenário é instável e a vontade geral é de ir para frente do Senado entoar gritos de luta, algo que planejam fazer ao final da tarde após os debates nos GTs.

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