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Um sapato contra 10 lacrimogênios: marcha cancelada e sátira às medidas de segurança

Martina Bonfatti e Cristina Dalla Torre

“Em frente, vamos! Esquerda, esquerda, direita, direita… pare! Atenção! Vocês se sentem seguros?”
“Sim, senhor!”

Em Paris, a Place de la Republique, onde deveria ter início a Marcha Mundial para o Clima, proibida em função do estado de emergência após 13 de novembro, é palco de cenas de ironia. Um grupo de pessoas vestidas de palhaço se diverte (e diverte os espectadores) encenando esquetes satíricos sobre as medidas de segurança adotadas para “proteger os cidadãos” neste domingo (29).

Durante todo o início da tarde, entre outras performances, essas pessoas parodiam, com suas fantasias, os movimentos dos policiais chamados para a ocasião. E não só isso: enquanto, de um lado da praça, foi lançado” um sapato” e dos outro “dez lacrimogêneos” (provavelmente para dispersar a multidão), os “palhaços” se aproximavam dos agentes dispostos em outro lugar, que procuravam deixar passar as pessoas que queriam deixar a praça e, após uma breve troca de brincadeiras, anunciavam: “Este senhor (o policial) tem uma coisa a lhe dizer: ele diz que está tudo seguro!” O agente deixa escapar um sorriso. E como não rir? Como não pensar que, afinal, esta alternativa para a marcha só deu lugar a tensões e confrontos que, dizem eles, levaram à destruição das homenagens às vítimas dos ataques?

Em uma das praças centrais da capital francesa, as pessoas viveram momentos opostos a qualquer tensão ou violência. É muito fácil vender notícias de imagens dramáticas de tiros e gás lacrimogêneo depois dos atentados de duas semanas atrás: na verdade, elas constituem um detalhe se comparadas aos intensos momentos vividos na Place de la Republique. Começando com uma bela vista sobre o caminho de sapatos deixados em solidariedade por parisienses na noite anterior, depois recolhidos para serem doados àqueles que deles necessitam. Em seguida, imagens de pessoas expressando preocupação com o estado de emergência em que está o planeta, mas de esperança em uma situação melhor, com base na energia que a sociedade poderá mobilizar para mudar as coisas. Há quem se defina “anti-COP“, mas também aqueles que, ao contrário disso, colocam muitas esperanças no alcance, por parte dos estados, da consciência sobre a necessidade das ações a serem implementadas neste momento decisivo.

A esperança é apoiada também pelo sentimento de união que o mundo inteiro tem mostrado no enfrentamento das causas da mudança climática: além de Paris, outras 136 cidades fizeram ouvir suas vozes e esforços para provar que, a partir de amanhã, o mundo terá os olhos apontados para as negociações sobre o clima. E é exatamente esta grande emoção que experimentamos ao receber as imagens de todo o mundo, que nos permitem ultrapassar as dificuldades encontradas hoje na Place de la Republique para começar nosso trabalho hoje, na abertura da 21ª Conferência das Partes sobre Mudança Climática.

Jornalista, professor e educomunicador. Responsável pelos conteúdos da Agência Jovem de Notícias e Revista Viração.

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