Começam os trabalhos do Seminário sobre Ensino Médio na América Latina e Caribe

A cidade de Bogotá na Colômbia acolhe, entre os dias 29 e 31 de maio, o Seminário Regional sobre Ensino Médio na América Latina e Caribe. O encontro pretende discutir o direito à educação, especialmente a etapa secundária, em suas diversas dimensões, como a acessibilidade, a qualidade, a relevância e o sentido da escola na vida dos adolescentes e jovens.

Representantes de dez países, entre estudantes, educadores, ativistas e pesquisadores do tema, participam do encontro para refletir sobre os desafios do Ensino Médio na região, que apresenta baixas taxas de conclusão. Aproximadamente 50% dos estudantes latino-americanos que ingressam no ensino médio, completam essa etapa de escolarização. Os participantes devem também construir uma série de recomendações para as políticas e as práticas educativas na região.

Durante a abertura do Seminário, no auditório da Biblioteca Nacional da Colômbia, Camilo Paes, da Biblioteca Nacional; Blanca Cecilia Gómez, da Coalização Colombiana pelo Direito a Educação; Camilla Croso, da Campanha Latino Americana pelo Direito à Educação (CLADE) e Anna Lucia D’Emilio, assessora regional de educação do Escritório Regional do UNICEF para América Latina e Caribe, deram as boas-vindas aos participantes e fizeram algumas provocações iniciais para o debate.

Blanca Cecilia, lembrou o novo processo de negociação de paz que o governo colombiano está conduzindo junto às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e chamou atenção para a importância de pensar sobre o papel da educação na construção de uma sociedade pacífica. Alertou também para os altos índices de violência que afetam os jovens, no país. “Que alternativas ou possibilidades de uma vida digna e estamos oferecendo aos jovens na Colômbia?”, questionou.

Para Camilla Croso é fundamental pensar no sentido que a escola tem para os jovens. Ressaltou que há, neste momento, uma forte tendência entre os países da América Latina e Caribe a estabelecer a obrigatoriedade do Ensino Médio, o que torna ainda mais central discutir a relevância da educação que se tem ofertado para os jovens. Lembrou a importância desse tema nas discussões de uma agenda global que substituirá os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, após o ano de 2015, quando se encerra sua vigência.

Anna Lucia citou um estudo que aponta que mais de 6 milhões de estudantes latino-americanos possuem dois ou mais anos de distorção idade-série. Lembrou as limitações dos sistemas educativos dos países, que muitas vezes foram constituídos durante regimes autoritários, e que, portanto, necessitam de reformas profundas. Para ela, essas mudanças só podem ser realizadas em conjunto por diversos atores sociais.

Sobre o evento

O Seminário é uma iniciativa da Campanha Latino Americana pelo Direito à Educação e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em parceria com o Instituto Internacional de Planejamento da Educação Unesco/Buenos Aires, a Oficina da Unesco em Santiago (Chile), a Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura e a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal). A Coalização Colombiana pelo Direito a Educação será a anfitriã do evento.

Por Vânia Correia

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