“Masturbação”: Podemos falar sobre isso?

Por Tania França, colaboradora do Programa Adolescer

ARTIGO – A palavra masturbação, que pelo tamanho já assusta, raramente é pronunciada em público. Desde muito cedo, meninos e meninas de todas as épocas aprendem que esta palavra, assim como seu significado são coisas feias e sujas.

No entanto, mesmo em meio a tantos mitos e restrições, a masturbação faz parte da sexualidade humana e será experimentada por todos nós, com maior ou menor culpa em mais de um momento de nossas vidas.

É preciso saber então, que a masturbação é uma etapa necessária e uma ótima oportunidade para que moças e rapazes conheçam as sensações e a intensidade dessas sensações que podem leva-los ao prazer. É nesse período de passagem para a idade adulta que o autoconhecimento fará toda a diferença. Os jovens serão capazes de ter mais ou menos prazer sexual na medida em que se conhecerem e souberem identificar a intensidade de seu prazer e até a controlar o momento do orgasmo. Mas a simples menção do assunto já provoca sorrisos constrangidos, faces ruborizadas, comentários debochados, como se estivéssemos falando de uma transgressão, de um desvio de conduta.

Uma das definições da palavra é “provocação solitária do orgasmo por meio da estimulação do próprio órgão genital”. Mas por que as pessoas complicam tanto? Por que tornar “um pecado” esta prática que deveria ser considerada normal e até benéfica, como parte do exercício saudável da sexualidade? Uma das razões para que o tema esteja envolvido em tanto tabu é certamente o fato de sofrer profunda recriminação religiosa. Em várias religiões, o sexo é estimulado apenas para a reprodução e a masturbação vem sendo taxada como um desvio de comportamento.

Além disso, muitas pessoas acreditam ser esta prática apenas uma opção para a falta de sexo ou para quem não tem um parceiro/a ou ainda como sexo de “segunda classe”. Poucos percebem que é apenas outra forma de obter prazer sexual e certamente o momento de maior intimidade que qualquer pessoa terá com seu próprio corpo.

Por muito tempo o ato da masturbação foi considerado como “exercício infantil da sexualidade”. Apesar disso, as crianças sempre foram desestimuladas a se tocarem para que pudessem se conhecer melhor. Entretanto, a exploração dos órgãos genitais é a forma mais segura para que meninos e meninas conheçam a si mesmos e descubram sua formação fisiológica. E esse já seria um bom motivo para que a prática não fosse considerada uma contravenção.

Por outro lado, a prática compulsiva da masturbação deve ser observada atentamente, já que pode ser uma forma de descarregar tensões ou compensar frustrações. Nesse caso, é importante identificar o que vem gerando as frustrações para tentar resolver a causa do problema. Numa circunstância como essa, a masturbação deixa de ser um hábito saudável e, como qualquer excesso, pode ser prejudicial à saúde física ou mental.

É claro que não podemos deixar de mencionar também os mitos que rondam o tema. Dizem que a masturbação faz crescer pelos nas mãos, faz as pessoas ficarem loucas, terem ataques epiléticos, e tantas outras coisas… Há os que acreditam ainda que quanto mais uma pessoa jovem se masturba menos orgasmos terá na idade adulta.

Enfim, há muito ainda que se falar sobre este assunto tão “mal falado”. Sendo assim, vamos aproveitar este primeiro momento para refletir sobre os nossos próprios conceitos e medos sobre a masturbação.

Até aproxima!

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