Luta de Davi e Golias

Maria Camila Florêncio*

‘Esta é uma luta entre Davi e Golias”, desabafou o Cacique Carlos Tukano, no último dia 21,  durante o “abraço simbólico” que reuniu mídias livres e militantes de diversos movimentos sociais no antigo Museu do Índio ao lado do estádio Maracanã. O encontro não teve forte adesão da população indígena presente na Rio+20, pois também vai de encontro à política governista adotada pela FUNAI, segundo a líder indígena Zahy Guajajara.
O ato consistiu num protesto pacífico contra os planos do governo estadual que, por recomendação da FIFA, irá demolir o antigo e Museu do Índio para construção de estacionamento e área de acesso ao estádio. A medida, além de afetar cerca de 20 índios que não tem moradia e residem no local desde 2006, também é uma forte agressão a um dos mais importantes patrimônios históricos indígenas, pois tal Museu teria sido o primeiro de toda a América Latina e foi ali que Darci Ribeiro criou o dia do Índio (19 de abril).
“Estamos aqui para perpetuar nossa história e conhecimento. Ninguém tá tomando. Estamos num espaço que é nosso, reivindicando direito e que o governo brasileiro tenha um olhar digno para nós. Que seja feito copa do mundo sim. Mas, que tenha espaço para nós. Por isso estamos batalhando para que esse espaço seja reconhecido”, disse um dos líderes.
Além de relatarem a luta para transformar o abandonado Museu num Centro Cultural Indígena, os índios também falaram sobre violações sistemáticas que tem sofrido, desde fome e medidas de cercar o museu deixando apenas um portão de acesso para BR, até o que para eles consistiu na exclusão da população indígena do estado do Rio de Janeiro.
“Teve um momento dessa conferência que a gente chorou. Foi uma injustiça grande. Vieram índios do Brasil inteiro, mas os índios daqui do Rio não foram citados ou ouvidos… A gente tem sofrido, passado fome, tocaram fogo na oca. Estamos cansados se ser oprimidos enquanto gastam milhões com a copa do mundo. O que vai acontecer com a gente? Os policiais vão vir e nos expulsar?” disse Zahy Guajajara.
“Não é só por mim, por ele, por ela. É por todos. Estamos brigando para ser um centro cultural indígena. Todo mundo vai sofrer as consequências do que estão fazendo com o planeta. A mãe natureza vai cobrar o que está acontecendo, maremotos, terremotos. Se ninguém cuidar, daqui a 30, 40 anos não vai ter mais gente”, disse o outro líder da ocupação Afonso Purinã.
Segundo o Advogado Araão Guajajara, já existe um processo tramitando e a notificação das autoridades envolvidas, além é claro da FUNAI. Mas, é necessário que haja adesão da opinião pública para que a luta possa ganhar peso. Você leitor/a, pode contribuir divulgando o site e vídeos sobre a ocupação nas redes sociais.

Tá na mão:

http://centroculturalindigena.jimdo.com/

http://www.youtube.com/watch?v=37N44K7yPCc&feature=player_embedded#

*É integrante da Rede de Adolescentes e Jovens Comunicadoras e Comunicadores – RENAJOC e recebe apoio do UNFPA para o evento.

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