O grito dos excluídos abafado pelo do Ipiranga

Por Bruno Menezes e Mariangela Castro, da Jornalismo Jr., empresa júnior da Escola de Comunicação e Artes da USP/Foto:Tânia Rego/ Agência Brasil 09/2016

7 de setembro: verde, amarelo, alegria, comemoração… gritos, levantes, reivindicações, passeatas? Há pouco mais de vinte anos que o processo de independência do Brasil não é o único acontecimento que traz importância a essa data. Desde 1995, 7 de setembro se tornou também um dia para ir às ruas e lutar por maior visibilidade daqueles que se encontram às margens da sociedade.

É o chamado “Grito dos Excluídos”, movimento social que busca dar visibilidade a um grupo de indivíduos esquecido e marginalizado pela sociedade. A data foi escolhida justamente para coincidir com o Dia da Independência do Brasil, ou Dia da Pátria, a fim de promover uma reflexão sobre a soberania nacional e uma sociedade justa e inclusiva.

Os organizadores do movimento se preocupam com a representatividade, garantindo diversidade entre os participantes. Durante o dia 7 de setembro, o “Grito dos Excluídos” busca denunciar as estruturas opressoras da sociedade e as injustiças do mundo econômico neoliberal, bem como ocupar espaços públicos e cobrar do Estado os direitos básicos dos cidadãos.

Para isso, todo ano o movimento levanta uma questão social a ser lembrada, e a torna o “lema” das manifestações. Este ano, o lema do Grito é “Por direitos e Democracia, a luta é todo dia”.

No entanto, é interessante notar a falta de reconhecimento que o movimento possui, em contraste com o Dia da Independência. Atualmente, sabe-se que o acontecimento de 1822 não tem motivos para ser romantizado tal como era no passado. A imagem de D. Pedro I montado em um cavalo às margens do Ipiranga, como retratado no quadro de Pedro Américo, não passa de uma idealização do que de fato ocorreu no dia – o evento não contou com cavalo nem guarda real.

Além disso, ao analisar a história do Brasil, percebe-se o quão insignificante foi o processo de independência para a maioria da população, uma vez que a estrutura social e econômica brasileira não sofreu nenhuma alteração imediata!

Assim, é irônico ver um movimento que se propõe a mudar o panorama dos brasileiros e brasileiras e lutar pelos direitos humanos ser ofuscado por um episódio do passado que, na realidade, não representou nenhuma “mudança”.

O grito dos excluídos é uma oportunidade para lutar por seus direitos e por uma sociedade justa, participativa e plural. Para mais informações sobre as ações e locais de mobilização, acesse o site ou o facebook dos organizadores.