Arte como alternativa

 Artesanato revela-se importante instrumento para reverter vulnerabilidade social

Alisson Rodrigues e Julia Dávila

Na tarde do primeiro dia do evento Repostas Comunitárias – Encontro de Saberes e Fazeres, as comunidades e os moradores de várias localidades do Brasil e do mundo tiveram um espaço para dar sua resposta comunitária. Falando com algumas pessoas que estavam neste espaço, descobrimos uma roda da convivência onde a responsável Maria Engenia da Silva da Associação A. Branca conta sobre sua resposta para este evento.

“Esta roda vêm trazendo uma nova maneira de convivência, onde enquanto conversamos fazemos artesanato”, diz. Além de tudo isso, a roda tem por objetivo trocar ideias sobre o dia a dia de uma forma diferente. Maria completa que a Associação tem o objetivo de tirar crianças e adolescentes das ruas, principalmente meninas. “Hoje nós temos uma turma de meninas que são garotas de programas. No início, elas tinham muita vergonha ao chegar no espaço, mas com o tempo acabam fazendo parte e até trazendo amigas que estavam nas ruas com elas. Hoje temos algumas que até já saíram das ruas e se mantém com uma nova renda, melhorando a qualidade de vida”.

Dentro do espaço de convivência também foi possível encontrar a Associação Reciclázaro. Trata-se de uma casa de acolhida que tem por objetivo dar estrutura e reinserir socialmente pessoas em situação de risco. Na associação, as pessoas têm a oportunidade de aprender um novo ofício. Todo processo é acompanhado por psicólogos. “Nunca tive paciência com artesanato, que agora vejo como uma terapia. Fui envolvido com drogas e há quatro anos não uso mais. Com essa atividade melhorei 100%, me acalma”, diz Marcos que trabalha com vidros dentro da associação.

Ele ainda completa: “É preciso reciclar e se reciclar. Com apoio da Petrobrás, do Governo Federal e da Prefeitura de São Paulo, a associação produz artesanatos em seis oficinas: tetrapak, marchetaria, colar, vidros e jateamento em vidros. Os produtos são vendidos na loja social localizada na esquia da Av. São João com a Libero Badaró e toda renda é revertida para os artesãos”.

Outra atividade vista foi a Costura Urbana, que junta pessoas e ideias em ações artísticas. Nessa atividade as pessoas construíam uma colcha de retalho, cada retalho é uma resposta aos problemas da comunidade mundial. Ao final, a colcha será exposta no evento e rodará a cidade para estimular mais ações deste tipo.